terça-feira, 30 de abril de 2013

Leitura: livros que marcaram minha infância: parte I

Todo mundo tem uma história de amor com algum livro, geralmente, com livros que conhecemos durante a infância mesmo, ou como diria uma professora minha: com livros que líamos enquanto pequeninos.
Eu tenho milhões de casos assim, pois quando criança, morei na casa da minha avó e passava as tardes sozinha, e sempre destetei televisão, só assistia A ursupadora e Malhação, mas lembro que Malhação era febre e uma "senhora" novela, não é essa coisinha que é hoje (ok, não sou velha mas agora me senti uma daquelas que diz "no meu tempo era diferente", HAHAHA).

Bom, na casa da minha avó tinha muitos livros e eles eram meus melhores amigos, quando não tinha ninguém em casa. Minha primeiras leituras de descontração ~e não por obrigação~ foram de contos. Lembro de alguns da Ana Maria Machado, alguns do Luís Fernando Veríssimo ~existe conto melhor que Atitude suspeita?, do Carlos Drumond, Rubem Alves, Aluísio Azevedo e tantos outros que não me lembro agora. 

O "primeiro caso" eu tive com o conto Chapeuzinho amarelo do Chico Buarque, uma releitura de Chapeuzinho vermelho,  mas essa chapeuzinho do Chico é mais "real", pois tinha medos que todos nós temos ou já tivemos, vai dizer que vc nunca sentiu medo de trovão? De minhoca? Ou de alguma coisa que só existia na sua imaginação? Pois essa chapeuzinho tinha muitos medos, alguns eram até engraçados, como ficar em pé ~ ela poderia cair; dormir ~e se ela tivesse um pesadelo?; de tomar banho e entre outras coisas. Mas no fim da história ela se liberta desses medos e até brinca com eles. Para criança é um livro divertidíssimo, ainda é legal de ler na minha idade. Na verdade, de vez em quando eu leio esses livros da minha infância, esses dias mesmo li Bisa Bia Bisa Bel e dei pulinhos de alegria quando vi na biblioteca da faculdade O menino no espelho...



Meu "segundo caso" foi com uma leitura obrigatória: O menino e a caboré. Li o primeiro livro ~é uma série, aos sete anos, estudava num colégio bem pertinho da casa da vovó, chamado Leão Dourado. Bem, é um livro voltado pra área de filosofia, não lembro qual era a edição, mas na que eu tinha, vinha umas perguntas pra responder. Eram perguntas bem bobinhas, mas que na época, eu coçava a cabeça antes de escrever. Coisas do tipo: "como seria se todos tivessem a mesma aparência física?" e lá ia eu imaginar todo mundo vestido de amarelo com um corte de cabelo estilo chanel e com caras sérias, seria legal. Calma, não seria tão legal, talvez fosse sem graça, sempre a mesma coisa. E aí pronto, perdia "o dia" pensando nessas coisas. Do segundo livro lembro-me bem de quando Gustavo, vulgo Bocão e personagem principal da história,  achou um passarinho num temporal e cuidou dele, e à medida que a ave crescia, Bocão percebia que aquela era uma ave diferente, não queria comer alpiste e sim carne, não cantava. Aí chegou o dia em que o passarinho soltou um ruído, só aí Gustavo percebeu que seu amiguinho era na verdade, uma coruja. E no desenrolar da história, as questões surgem: "a mente cria medos no escuro, por não enxergarmos? Como cuidar dos irmão, amigos? Somos seres racionais?"
Esse livro só não foi o mais marcante da minha infância porque, já aos 9 anos, conheci o primeiro livro que me faria chorar. Foi meu terceiro caso de amor literário.


O meu "terceiro caso" e o mais sério, fiel e duradouro foi e continua sendo com Os miseráveis, de Victor Hugo. Claro que naquela época a versão que li foi a adaptação feita por Walcyr Carrasco, mas depois fui conhecendo outras versões e hoje, meu sonho é ler pelo menos, a tradução feita pelo Ozanam de Barros. Mas tenho lido muita gente reclamando da edição atual, porque tá cara, é de brochura, em tamanho pocket, e tals. Então, vou ficar aqui quietinha esperando a Cosac Naify lançar outra edição, se não rolar, não compro. Tamanho pocket? Brochura? "Wadarrél?" Os miseráveis merece uma publicação de luxo, eu hein!
>>> Se você não conhece ainda a história de Jean Valjean e da pequena cotovia, Cosette, tá perdendo tempo. Não sei se sou eu quem idealizo demais, mas para mim essa história é a melhor de todas, uma pena eu ainda não ter lido a tradução do Ozanam. Logo nos capítulos iniciais, eu com meus nove anos, deixei as lágrimas rolarem. Quando Jean assalta o "padre", que na verdade era bispo, que lhe alimentou e lhe deixou pernoitar em sua casa, eu fiquei com o coração aflito.Na verdade chorei por muitas vezes, e por quase todos os personagens, até pela Eponine eu chorei. Quando Fantine morre, eu passo dias triste. Nunca li nada tão envolvente. Acho que já o li em três versões, fora a do Walcyr. A do Walcyr, eu li umas quinze vezes. E sempre me emociono e fico desejando ler algo mais "original", mais próximo ao que Victor Hugo escreveu. Sem dúvida é meu eleito a melhor clássico. Na verdade, Victor Hugo é um dos meus escritores favoritos, quando eu ainda morava em São Paulo, lembro que eu era viciada em assistir O corcunda de Notre Dame, Quasímudo era um herói, assim como o Romeu de W. Shakespeare. Estou bem atrasada com minhas leituras esse mês, mas assim que eu tiver uma folga, vou fazer uma maratona de Victor Hugo. Mas dessa vez, vou tentar não ler Os miseráveis, pois tenho outros livros, que conheci recentemente, que estão merecendo releitura, mais do que o digníssimo com o qual tenho um caso literário.


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